MEMÓRIAS DA MINHA ALFABETIZAÇÃO
Aline Gasparim Christianini
Sempre tive a curiosidade de saber o que estava escrito em painéis, propagandas, embalagens de brinquedos e alimentos, em cartas de jogos de tabuleiro, em revistas, jornais, livros e tudo mais que via pela frente.
Cursei o antigo “Jardim da Infância” e a “Pré-escola”, onde tive contato com as letras e algumas palavras simples. Mas eu queria ler frases inteiras e textos mais longos. Comecei a primeira série, o antigo “CB” – Ciclo Básico, no ano de 1989. Meus pais não tinham condições financeiras de pagar escola particular, não consegui vaga no SESI e, então, fui matriculada em uma escola estadual daqui de Jundiaí. Começou o ano letivo e minha mãe comprou a cartilha “Alegria do Saber” (aquela que vinha com um palhacinho na capa). Mas, naquele ano, os professores perderam diversos benefícios e resolveram entrar em greve. Me lembro que tive aulas de fevereiro à abril e logo depois fiquei em casa, porque a escola havia paralisado. Minha cartilha estava guardada na escola e eu, em casa, achava que só iria aprender a ler e a escrever fazendo as atividades da cartilha. Passaram-se os meses de abril, maio, junho, e nada de voltarem as aulas. Eu chorava que eu queria a cartilha!
Foi quando minha mãe resolveu comprar outra cartilha, igualzinha àquela solicitada pela escola. Quando eu ganhei a “nova” cartilha, não desgrudei dela! Fiz todas as lições em poucos dias. Lembro que “perturbava” minha mãe para me explicar o que deveria ser feito. Ao terminar uma lição, eu já seguia para a próxima. Quando voltaram as aulas, no mês de julho, eu já havia terminado todas as lições! Na escola, quando a professora passava a lição do “tatu” ou a do “macaco”, eu já preenchia todos os espaços em poucos minutos! E pedia mais! Lembro que a professora, uma senhora de idade chamada Maria Lúcia, ficava brava comigo. Ela me disse que “não era para eu ter feito tudo antes”. Mas não me arrependo! Ao final da cartilha tínhamos um outro livro solicitado pela escola, chamado “Meu primeiro livro”, com pequenas histórias mais interessantes do que "o vovô viu a uva”. Fiquei frustrada porque as aulas da greve não foram repostas e, neste livro, fizemos somente a primeira lição. Mas eu terminei o livro todo em casa, nas férias de janeiro, com o auxílio da minha mãe.
E de lá para cá, meu interesse pela leitura e pela escrita só aumentou! Na faculdade, quando entreguei o TCC, o professor mais exigente do curso (Prof. Wanderley) elogiou meu texto, com quase setenta páginas. Disse que eu poderia seguir com o mesmo tema para o mestrado. No dia da formatura da graduação senti algo indescritível: fui homenageada como “a melhor aluna do curso” e ganhei um “Diploma de Mérito”. Fica evidente que sou apaixonada por leituras e adoro escrever!
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